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| Claquette |
| Rodrigo Pestana |
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Assista agora “Enquanto você dorme”!
Tudo começa quando ligam a câmera e a jornalista Ángela Vidal passa a ensaiar uma reportagem sobre a vida dos bombeiros. Conversando sempre com o câmera Pablo, Ángela faz sinais e sussurra para que ele corte quando bem entender.
A intenção da reportagem seria mostrar como os bombeiros passam a noite e, se possível, acompanhar uma ação. Enquanto tudo permanece monótono Ángela ri e bufa diante da câmera. Um deles diz que na maior parte das vezes a chamada é apenas para salvar animais de estimação. Ela torce para que algo fantástico ocorra, mas se soubesse o que estaria por vir não o faria. Durante um amistoso jogo de basquete soa o alarme e a jornalista fica excitada. Pede para ligarem a sirene do caminhão, mas o motorista José não deixa. No prédio o clima perverso ganha intensidade e a falta de luz com a câmera balançando acrescenta tom nauseante. A partir daquele instante Pablo teria a obrigação de continuar gravando.
Recebem a notícia de que o prédio havia sido isolado por medidas de segurança e que ninguém estaria autorizado a sair. A palavra desespero fica pequena diante de seu significado, pois o grau de realidade é muito bom. A cena da queda do bombeiro é de causar trauma. A queda, o sangue, os gritos, tudo muito crível e absoluto, fazendo daquele prédio um palco do horror. Ficam todos incomunicáveis.
Num momento da estória vão até uma janela e percebem que não estão somente isolando, mas lacrando literalmente o prédio. Tudo fica ainda pior. Ouviam lá de fora um policial gritando num megafone para que não tentassem sair, e sentiam-se cada vez mais enterrados vivos dentro de uma grande jaula ameaçadora.
A jornalista e o câmera Pablo são aqueles que o tempo inteiro tentam gravar para passar a notícia. Consideram importante informar sobre o quê estava acontecendo. Havia o policial que não suportava câmera ligada, ao invés de tentar fazer apenas o que era pago. O residente que só aplicava injeções, um casal de senhores que adorava discutir em qual andar moravam e a família de japoneses. Mãe e filha desesperadas porque o homem da casa havia saído pouco antes dos bombeiros chegarem pra comprar remédio pra menina. Algo sobre o cachorro Max e o senhor de rosto oleoso que nitidamente pinta os cabelos e o bigode.
São muitos e bons personagens presos num prédio que parecia inofensivo no começo. A estória, o som e os efeitos especiais são todos convincentes. O fato de mostrar a verdadeira ameaça gravada por Pablo, acrescenta terror e qualidade ao filme espanhol. É um que soube entender e melhorar a essência de “A Bruxa de Blair”. Com destaque para a premiada atriz Manuela Velasco, que interpreta a corajosa jornalista Ángela, “REC” é um filme muito bom. Audacioso. Alguns momentos foram gravados sem o conhecimento dos atores, o que fez com que ficasse ainda mais real. As locações usadas também eram reais e “REC” é a prova de que dá pra fazer de tudo no cinema. Até a mais boboca idéia pode se transformar numa excelente premissa se os envolvidos tiverem ousadia.
REC
(REC, Espanha, 2007)
Terror
Direção: Jaume Balagueró e Paco Plaza
Elenco: Manuela Velasco, Ferran Terraza, Pablo Rosso, David Vert, Martha Carbonell

Em "REC", filme espanhol dos diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza, uma repórter (Manuela Velasco) e seu câmera fazem uma reportagem num quartel do Corpo de Bombeiros. Quando eles acompanham uma saída noturna, o que parecia uma ocorrência rotineira de resgate se torna um pesadelo.

Alguns momentos foram gravados sem o conhecimento dos atores, o que fez com que o filme ficasse ainda mais real.