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edição 1444

DANIELLE CURIA
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Danielle Curia

 

Embrulhos natalinos

 

Desta vez embrulhados em papel festivo, as medidas do governo tentam impulsionar a economia. Contudo parecem ainda tímidas e setoriais, principalmente no que tange o IR.

A do spread bancário deveria ter sido tomada desde sempre. Não é a taxa Selic,de 13% anuais, que inviabiliza os empréstimos, sim as taxas de mais de 6% ao mês dos bancos. E a dos carros poderia ser ampliada, se o objetivo é aumentar as vendas. Os ministros fizeram o anúncio rapidamente e se retiraram. Mantega disse que outras medidas estariam sendo elaboradas e serão tomadas no momento certo (?). O Governo, notadamente a primeira excelência, que pretendia um otimismo irreal, já dá mostras de preocupação real. Afinal eles sabem que a popularidade de Lula depende exclusivamente de acertos na economia. Por enquanto os 70% de aprovação estavam atrelados ao bem estar provocado pela onda de prosperidade vinda das bolhas globais, e da herança bendita recebida do governo anterior. O pavor do governo é o desemprego, não por lastimar os pobres trabalhadores e sim por saber que seria fatal para a sucessão presidencial – quer dizer, as medidas são muito mais voltadas para a política do que para o povo. Os petistas, que lotam o serviço público, também estão apavorados com a possibilidade de perder suas mordomias de aspones e que tais... Lula disse que “se agente permitir que a economia pare, estamos ferrados”. Esbravejou contra especuladores e “determinou” que bancos e empresas reduzam os lucros... Enfim, é complicado vender a idéia de que as pessoas devam se endividar para manter o comércio funcionando. Mais difícil é obrigar os empresários a não demitir empregados, quando o horizonte é de recessão – cada qual defende o seu patrimônio, e ninguém quer se aventurar a navegar em um mar de “marolas”.

O Natal “espetacular e nunca antes visto” deve estar tirando o sono do Papai Lulael, pois depois das festas costuma ficar a ressaca...

 

 

PETIT GALLERY

 

Hoje é focada em um homem merecedor de todas as homenagens. Miguel Ignatios é querido por todos e invejado por muitos. O presidente da ADVB tem dado show de competência. No último ano colocou a “casa” em ordem tornando ainda melhor o que sempre foi ótimo.

 

 

Para o presidente da ADVB-SP, Miguel Ignatios, a oportuna criação do prêmio “Personalidade de Visão Global 2008”, que escolheu, em sua primeira versão, o empresário Mario Garnero (foto), permite colocá-lo ao lado de seleto grupo de nomes ilustres – alguns muito conhecidos, outros nem tanto -, que atuaram em suas respectivas épocas, como pioneiros da globalização da economia brasileira, desde o século 16 até nossos dias.

Dessa forma, argumenta Ignatios, a escolha de Mario representa excelente oportunidade para a ADVB-SP também prestar homenagens simbólicas a algumas personalidades históricas, que ajudaram o País a se tornar grande produtor e exportador de açúcar, café, carne bovina e soja, produtos fartamente consumidos em todas as partes do mundo.

 

 

Tal lista, segundo Ignatios, teve início em 1532, com a chegada ao Brasil da expedição de Martim Afonso de Souza, que trouxe para São Vicente (SP) as primeiras amostras de cana-de-açúcar. Essa gramínea foi levada pelos portugueses da Índia, de onde é originária, inicialmente, para o arquipélago dos Açores e, posteriormente, de lá para nosso País.

A cana se deu tão bem em nosso clima, quente e úmido, que já no mesmo ano de 1532 foi inaugurado, na então capitania de São Vicente, pelo próprio Martim Afonso de Souza, o primeiro engenho de açúcar das Américas.

Foram necessários mais 150 anos para que o segundo incentivador da globalização surgisse na história brasileira. Trata-se do viajante Francisco de Melo Palheta, que trouxe para nosso País, escondidas em suas malas, as primeiras mudas de café, da Guiana Francesa. Tal planta é originária da Etiópia, no nordeste africano.

A adaptação dos cafeeiros aos solos brasileiros, segundo Ignatios, só aconteceu em meados do século 19, no Rio de Janeiro; daí espalhou-se rapidamente para São Paulo, via Vale do Paraíba, dando-se muito bem em várias regiões paulistas.

No final do século 19 e início do século 20, o café brasileiro tornou o País conhecido em todos os continentes.

Mas a globalização agroindustrial brasileira não estava completa. Faltavam ainda dois produtos: a carne bovina e a soja. Ambos, de acordo com o presidente da ADVB-SP, chegaram praticamente juntos, no alvorecer do século 20.

Coube ao pecuarista mineiro Teófilo Godoy, em 1898, a missão pioneira de trazer da Índia os primeiros exemplares de gado da raça Zebu. O clima, na região do Triângulo Mineiro, é idêntico à da região de onde tais animais provinham. O sucesso da criação zebuína, em Minas, foi tão grande que Godoy teve de voltar à Índia para comprar mais exemplares para a sua fazenda de criação.

Em 1897, o agrônomo e veterinário italiano, Giovanni Rossi, após o fim da Colônia Cecília, experiência liderada por ele, à frente de um grupo de anarquistas, em Palmeira, no Paraná, em terras doadas pelo imperador dom Pedro II, muda-se para a localidade de Rio do Sul, em Santa Catarina, onde introduz o plantio experimental de soja, com sementes provenientes da China.

Além disso, de 1897 a 2006, ano em que voltou para a Itália, Rossi incentivou a formação de várias e pioneiras cooperativas agrícolas do País, hoje um dos pilares que sustentam a agricultura de exportação.
Em 1951, lembra o presidente da ADVB-SP, o agrônomo José Gomes da Silva desenvolveu, no Instituto Agronômico de Campinas (SP), as atuais variedades de soja, dando, com isso, início à fase de expansão no plantio dessa leguminosa no País.
Hoje, conclui Ignatios, o Brasil é dono do maior rebanho bovino do mundo, com cerca de 200 milhões de cabeças; e o segundo maior produtor de soja, atrás apenas dos Estados Unidos.

A solenidade de entrega do prêmio, realizada no dia 15 no Sheraton São Paulo WTC Hotel, reuniu empresários, políticos e muitos amigos

 

Antes do ponto - Quero agradecer os muitos convites, mensagens e lembranças. Desejo a todos um ótimo Natal e um novo ano repleto de embrulhos eficientes que possam realmente deixar o Brasil mais real e menos ufanista.

Estarei de férias e na volta conto o que vi por aí...