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edição 1444

CÉSAR ROMÃO
Panorama
Cesar Romão

 

O futuro da globalização

Dono de uma das agendas mais disputadas do planeta, por ser um dos principais analistas da crise financeira mundial, Joseph Stiglitz realizou palestra na ExpoManagement, organizada pela HSM.
Além de ter a credencial de ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2001, Stiglitz tem sido muito requisitado porque sempre se posicionou contra o neoliberalismo que, atualmente, está na berlinda. Conselheiro de Barack Obama, esse professor de economia da Columbia University foi um dos que anteviram o momento atual, uma crise que ele atribui, em grande parte, à falta de mecanismos regulatórios da economia. Ao público presente na Transamérica Expo Center,
em São Paulo, falou do futuro e revelou por que está pessimista.
“O grande desafio de cada país é gerenciar os riscos e adaptar idéias às circunstâncias específicas”, diz Stiglitz. Enquanto as oportunidades são diversas, as coisas ruins também cruzam fronteiras. “É o caso do problema das hipotecas, que foi exportado pelos EUA para o mundo, bem como do fundamentalismo de livre-mercado”, exemplifica.
Para Stiglitz, o mais importante efeito da globalização foi o acesso às tecnologias e às idéias. Mesmo assim, não houve um estreitamento da lacuna entre os países em desenvolvimento e os desenvolvidos. “O crescimento dos Estados Unidos não foi compartilhado e grande parte do conhecimento foi para o topo da pirâmide. Mesmo lá a pobreza aumentou e a renda média caiu em relação há oito anos”.
Com firmeza, Stiglitz ressaltou o desafio imposto pelos acordos internacionais de comércio, que contribuem para a desigualdade, pois são reflexos de interesses de lobistas e não acordos de livre comércio na essência. Mesmo assim, países como Índia e China crescem, respectivamente, 8% e 10% ao ano e vêm reduzindo a sua distância dos países mais ricos. Para o economista, esses países são exemplos de sucesso da globalização.