Untitled Document
Página Inicial
Editorial
Jornais do Grupo
Moda
Super Cap de Ouro
Mural
Colunistas
Anunciantes
Expediente
Estivemos
Cidades
Horóscopo
Classificados
Orações
Revistas e Livros
Arte com Arte
Diversão
Eventos & Shows
Vídeo & Cinema
Teatro
Gastronomia
Dicas Maravilhosas
Saúde
Estética
Música
Turismo
Esporte
Utilidade Pública
Educação
Fale Conosco
 
 
 

 
 
 
     
     
     
 
 
online

 

Untitled Document
Untitled Document
edição 1444

CRÔNICA
Crônica
Alfredo Brites

NO OUTRO ANDAR

 

Maruoto nasceu no japão há mais de 60 anos, o portuquês entende bem quando quer e fala mal porque não quer aprender. Há duas semanas que dorme mal, muito mal, pois foi só a sua filha falar que ele tinha que ir ao dentista que começou a perder o sono, ficou irritado, nervoso e muito quieto.

O dia de ir ao dentista chegou, nem dormiu, ficou olhando para o teto do quarto e ouvindo todos os barulhos ao seu redor até mesmo o barulho do motorzinho do doutor dentista, dentista para Maruoto é cruel, muito cruel.

O dentista estava marcado para as dez horas, oito horas Maruoto já estava arrumado, colocou uma calça preta de veludo, camisa social de linho e um boné que ganhou como brinde numa loja de ferragens e para arrematar colocou um óculos escuro que tinha sido do avô materno.

Sentado na varanda da casa ficou esperando a sua filha vir buscá-lo, quando ela chegou olhou para o seu velho pai e sugeriu uma outra vestimenta que o velho Maruoto muito contrariado resolveu aceitar, afinal não ia para nem um  casamento, nem uma festa ia exatamente para um dentista, maldito dentistas, eles deveriam existir em outro planeta, alias pensou, o certo seria nós não termos dentes, pois tratar de dentes é muito cruel.

Na sala do consultório quando pai e filha chegaram, anunciaram na recepção de que estavam ali para o sacrifício e sentaram numa grande poltrona onde em frente tinha um aparelho de televisão, do lado esquerdo da filha de Maruoto uma mesa com muitas revistas, com folhas arrancadas, outras amassadas e outras sem capas, porque será que as pessoas num consultório dentário judiam das pobres revistas.

Estava neste seu pensamento quando a porta abriu e deu passagem para um senhor alto, cinto grosso, bota, chapéu de abas largas e de óculos escuros, estava acompanhado de uma jovem senhora que provavelmente seria sua filha. A filha segurando no braço daquele senhor caminhou em direção do Maruoto e o pôs para sentar ao lado do Maruoto.

Ali espremido Maruoto, colocou as mãos entre as pernas e ficou olhando para o aparelho de televisão. Assim do nada aquele senhor do seu lado perguntou, você já capou boi, você já capou porco ou porca, pois eu já capei, eu tenho uma fazenda de porcos de muitos porcos, afinal você capou esses tipos de animais, Maruoto balançava a cabeça varias vezes negando que tivesse algum dia feito isso, ou seja capado boi, porcos ou porcas.

E o velho com seu chapéu enterrado na cabeça falou em voz alta, me admira muito você com esses seus cabelos brancos nunca tenha capado esses tipos de animais, mas afinal que é que você fez nesta merda de vida até hoje que nunca capou nem um bicho, você por um acaso é advogado, é médico, é dono de banca de verduras na feira, você por um acaso pelo menos sabe o que é um porco ou uma porca, você sabe porque se capa uma porca, sabe ou não sabe, Maruoto só balançava a cabeça negando tudo, então vou dizer a gente capa a porca pra ela engordar, e engordando dá mais banha, mais carne e se ganha mais dinheiro, entendeu agora ou tenho que explicar mais alguma coisa, finalizou e ficou olhando para Maruoto que estava apavorado com o olhar negro das lentes daquele chapeludo.

Maruoto, até pediu a Deus para que  o dentista o chamasse logo, preferia enfrentar a batalha com o motorzinho do que aquele chapeludo falando aquelas besteiras em seus ouvidos, olhava desesperadamente para a filha  para ver se ela vinha salvá-lo, mas não, ela estava lendo uma revista com folhas amassadas, estava tranqüila e ele ali, naquele sufoco.

Maruoto de repente levantou e disse caramba será que não vou ser atendido logo por esse dentista, preciso ser atendido logo, porque senão vou sair correndo daqui, sua filha levantou, a filha do chapeludo levantou, e perguntou, alguém pode me informar se esse é o consultório do doutor Mattos o psiquiatra.

A recepcionista levantou e disse, não minha senhora aqui é o consultório do doutor Carlos que é dentista. O doutor Mattos, o psiquiatra é no andar de baixo sala 28, logo em frente do elevador.