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Colunistas
psicologia
Cintia Thomaz
 

A Hipersexualização

O outro dia li sobre uma adolescente que se encontrava confusa em relação à sua sexualidade. Realmente, este é um tema recorrente no atendimento clínico, não só de adolescentes, mas de pessoas de todas as idades. Chamou-me a atenção que ela comentava que já havia “ficado” com meninas, e que tinha encontrado o relacionamento muito prazeroso, em relação às conversas, interesses comuns, possibilidade de estabelecer um diálogo e compreensão mútua. Porém a parte sexual não lhe havia agradado. Não sei especificamente dessa adolescente, porém parece-me que ela descreveu-me uma amizade. Relacionar-se com meninas é ótimo, com exceção da parte sexual. Bom, isso é a definição de amizade entre moças heterossexuais.

Penso que há uma hipersexualização dor relacionamentos hoje em dia. Como se o fato de sentir-se à vontade e feliz na companhia de alguém nos levasse obrigatoriamente à necessidade de interagir sexualmente. Não há essa necessidade. Nem quando não temos desejo, como parece ser o caso dessa moça, nem quando este existe.
A sexualidade é complexa e natural, assim como a agressividade. O fato de encontrarmos homossexualidade na natureza, não quer dizer que devamos imitar os animais. Afinal, também encontramos o incesto, e nem por isso nos desfazemos de nossos limites culturais.

A cultura serve para que não tenhamos que experimentar tudo. Tanto na parte acadêmica, como na mais rotineira, herdamos conhecimentos que não só podemos, como devemos utilizar a nosso favor. Curiosamente, hoje em dia os pais sentem-se muito à vontade ao impor limites alimentares aos filhos, porém outros limites aparecem como uma ameaça à liberdade individual e acabam por deixar as crianças e adolescentes sem parâmetros no que se refere à sexualidade e à agressividade.
Lembro que o equilíbrio é fator fundamental para que as pessoas possam crescer e viver livremente como seres sociais e culturais que somos. Ao vislumbrar um precipício, por mais que os esportes radicais nos atraiam, devemos pensar com muito cuidado antes de lançarmos à experimentação. Esta não só pode acrescentar vivências positivas, como negativas também.

 

 

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